sexta-feira, 13 de maio de 2016

Nada sobre política


Nota do editor: Sabe quando você lê alguns grandes blogs, que tem muitos colunistas e o editor coloca aquela mensagem padrão "a opinião expressa neste texto é de responsabilidade exclusiva do autor e não representa a posição oficial deste veículo" ou algo do tipo. Sabe? To hell with that. Este post representa a opinião oficial deste blog. BTW me peguei duas ou três vezes pensando "hey, eu disse isso ontem" LOL
Eu provavelmente vou escrever algo sobre isto, nos comentários, mas aí está o que precisa ser dito. E digo mais, é ministério e não Power Ranger. E digo mais ainda, por mim tirava todo mundo, fazia uma constituição bem enxuta e começa este país de novo. Infelizmente, nem sempre conseguimos o que queremos.
- Willyans Maciel.

E quando percebi, lá estava eu com uma xícara de chá em frente a TV assistindo ao discurso do presidente Temer. Pela primeira vez, em anos, assisti a um pronunciamento sem corrigir erros de português ou me irritar com o tom de voz agressivo, não dei ao menos uma risada e, pasmem, me peguei aplaudindo em frente a TV por duas ou três vezes.

No começo, me compadeci pelo nervosismo visível do homem, torcendo para que ele acelerasse um pouco a fala ou eu dormiria em frente a TV, mas depois que pegou o ritmo, tirando um “cof cof” aqui e acolá, o discurso foi equilibrado, inteligente e em tom pacificador e otimista, tirando a parte sobre deus no final, que me deu um pequeno arrepio no final da espinha ao pensar em um governo evangélico e contra tecnológico, mas sem ser pedante neste ponto. Diria que foi bastante aceitável e até um pouco confortador ver novamente alguém articulado discursar como presidente, desde a era FHC.

(Nada contra, nem a favor... Mas desde FHC não se via alguém que soubesse discursar bem na presidência, convenhamos!)

Ao final, a repórter anunciou que o presidente falara por trinta minutos.

Uau! Trinta minutos sem nenhuma pérola? É quase um recorde na situação política em que estávamos vivendo. Até pensei que a ex-presidente poderia virar comediante, afinal, me doía a barriga de rir ao ouvi-la falar... E a cabeça também, por outros motivos.

Mais tarde, passando os olhos rapidamente pelas mídias sociais, me deparei com esta imagem:


Bem, como eu disse no título, não quero falar nada sobre política, então vou falar sobre outra coisa: médicos!

Sim, médicos! Afinal, nenhum de nós tem experiência em nomear ministros, não é mesmo? Bem, talvez você tenha, mas acho que as chances de quem o fez algum dia ler este texto são mínimas. Em contra parte, quase todos nós, em algum momento, precisamos buscar um médico para nos atender, certo?

Então, lá está você, em uma consulta com um clínico geral, você tem muita, muita dor e um problema de difícil resolução, ele recomenda que você procure um especialista. Você abre um guia médico ou mesmo busca na internet e, em sua localidade, há apenas uma pessoa que trabalha na área indicada. Um desses nomes dúbios, você não sabe se é homem ou mulher, não há foto, você não sabe a etnia do cidadão, não há como saber a descendência do mesmo, a origem ou a preferência sexual.

Se você for como eu, isso não vai importar, pois lá está você com muita, muita dor e quer ver seu problema resolvido o mais brevemente possível. Pouco importa a aparência da pessoa, ela precisa ser competente, não é mesmo? E, principalmente, apta a resolver seu problema.

Mas digamos que houvesse duas opções, um nome de homem e um de mulher, e eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas, independente do gênero escolhido, para que você nem mesmo se preocupe com isto – afinal, há bons homens médicos e boas mulheres médicas, não é mesmo?

Você liga para o consultório, o que você pergunta?

- Olá, gostaria de saber o/a doutor/a é negro ou branco? Homossexual ou heterossexual? Baiano, paulista, gaúcho, ou...? É “cis”? É “da elite”? Prefere mortadela ou coxinha?

Ou talvez...

- Em qual instituição o/a doutor/a cursou medicina? Se formou com louvor? Teve boas notas? Fez especialização em que, além de *o problema que você precisa resolver e a especialidade que procura*? Participa de fóruns e congressos?

Talvez, indo ainda mais longe...

- O/a doutor/a já foi investigado por algum crime? Já assediou pacientes? Já deixou alguém com sequelas irreparáveis? Já deixou alguém morrer na mesa? Se sim, quantos já morreram em suas mãos?

E se houverem trinta especialistas, você ligará para os trinta fazendo estas perguntas? Assim, podendo escolher o que você ache mais parecido com você?

É, acho bem que não, provavelmente você vai perguntar para quando poderá agendar uma consulta e resolver seu problema, afinal, faculdade de medicina é tudo igual mesmo... Ou não?

Afinal, você quer uma medico/a competente, ou um mini você?

Reclama-se da tal intolerância, mas justamente não tolerando aqueles que são diferentes!

Não dou a mínima se o novo ministro dos esportes for hermafrodita, roxo com bolinhas laranjas e transar pela orelha, desde que ele entenda de.... esportes! Ele não precisa me representar, mesmo enquanto esportista – sei lá, o cara pode ser ex jogador de futebol e não dar a mínima para o pessoal que luta! - ele precisa ser competente.

Afinal, se o ministério dos esportes fosse extinto eu celebraria a diminuição da máquina pública. (Ei, pra onde você acha que vão os seus impostos?)

Ser investigado? Ué, a presidente que essas pessoas defendiam também estava sendo investigada, não é mesmo? E quantas vezes li que, mesmo investigada, era inocente? Sem falar que, quem votou neste vice que agora assume, foram os mesmos que votaram na presidente agora afastada.

Não estou defendendo alguém que assumiu há poucas horas, nem teria motivo para tal, afinal, o discurso foi bonito mas a prática e seus resultados ainda está por vir, só fico enjoadinha com este preconceito travestido de politicamente correto.

Afinal, se julgar alguém pela cor da pele, opção sexual ou gênero é crime, julgar a incompetência de alguém por ser “homem, hétero e branco” também não é preconceito?

O grupo não precisa ser “diversificado” para agradar aos olhos e gostos particulares de grupos específicos, precisa ser competente.

Ou um ministro da saúde, sendo dentista, não poderia representar enfermeiros, fisioterapeutas e médicos? O ministro dos esportes precisa ter tanquinho?

Eu, por exemplo, acho um tanto absurdo ministros do esporte e da saúde com uma pança de melancia e cara de bebum, respectivamente, mas se essas pessoas não praticam esporte ou deixam a saúde de lado, é uma escolha delas, desde que isso não interfira nas decisões tomadas para aqueles que realmente se importam com isso, os profissionais da saúde e os esportistas, dentre outros.



A colunista V. Hermann escreve aqui quando quer, é mulher e defende mais os homens brancos e héteros do que muitos deles, afinal, já está cheio de gente defendendo as mulheres por aí – inclusive homens – e o esporte favorito dela é nadar contra a corrente. :)





3 comentários :

Willyans Maciel disse...

É engraçado. O Temer nem fez nada de excepcional ainda, mas faz tanto tempo que não temos um presidente minimamente educado e sensato que parece que o governo dele é maravilhoso.
Eu sou anti-governo, sempre, mas há que se dizer, as medidas de cortes são acertadas e a cambada que se beneficiava está louca (cargos comissionados, movimento "sociais", etc).

Viviane Patricio disse...

Fala bonito, mas é um bunda mole, hahahahahahah

Willyans Maciel disse...

Sim, dos grandes. Kkkkkk mas já era de se esperar que não ia ter coragem de fazer tanto.