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sábado, 14 de maio de 2016

Eu detesto dizer "um dia"

É verdade, é algo que não suporto, as vezes escapa e eu me sinto fraco, como alguém que não consegue planejar-se, que não tem controle sobre a própria vida. Parece que não estou trabalhando por aquilo, mas apenas esperando que algo aconteça.


O fato é que a vida não se importa com os nossos planos. E as vezes você simplesmente não é capaz de traçar um curso claro e definido. Talvez por incapacidade, talvez pela complexidade da situação, pois o fato é que há causas e efeitos e há a relação entre elas. Faça os cálculos.
Mais simples falar do que fazer, o fato é que podemos saber onde vamos chegar e como faremos. E ainda assim não sermos capazes de dizer quando. E isto angustia, isto dói. É um grande esforço para entender a situação e não sofrer.

É em parte ansiedade, em parte desejo de resolver (chacoalhe estes ombros Atlas). Se for pensar com calma, nós deveríamos ser muito menos ansiosos hoje do que no passado. Para um homem cuja expectativa de vida era de 45 anos, 10 anos faziam muita diferença. Para um homem cuja expectativa de vida é de 85 anos, a diferença não é mais tão grande. Se tudo correr bem eu devo viver ao menos 100 anos, por que eu deveria me preocupar em gastar 10 anos, pior ainda, por que eu deveria me preocupar com algo que eu posso imaginar como resolvido no próximo ano? Ainda assim, nós ficamos ansiosos, até com coisas que teremos de resolver amanhã porque não houve tempo hoje, ficamos preocupados, parece muito tempo para aquilo ficar parado, parece que o tempo vai acabar e você não fez nada.

Você olha para a situação, não vê a data de conclusão, sabe que tem que por uma deadline, mas depende de tantas outras coisas para fazer isto, envolve outras pessoas e fatos. Envolve processos com os quais já estava previamente comprometido e que ainda não estão concluídos (2/5 not quite there yet, but working).
Você sabe que é para logo, que não vai demorar, que a situação atual não se sustenta e as mudanças precisam ser feitas. Decisões já foram tomadas, movimentos foram feitos, esperanças não foram alimentadas em vão...

Por isto, na impossibilidade de oferecer uma data especifica, na impossibilidade de fazer agora. E para não parecer um futuro longínquo.. Direi, em breve.
Não "um dia", mas "em breve".

Por que o futuro não espera por ninguém. Crie o checkpoint, faça o movimento, pegue seu café (sem açúcar), assuma os riscos, crie as causas dos efeitos que você quer para si e diga "em breve", para que logo possa dizer "agora".

2 comentários :

Viviane Patricio disse...

A vida não se importa com os planos (ou ausência deles) de ninguém, há momentos em que coisas caem do nada no seu colo e você precisa lidar com isso, pro bem ou pro mal. Eu sou péssima planejadora, em geral, muitas coisas que eu disse “Um dia...” não aconteceram ou, passado algum tempo, me pareceu péssima idéia e mudei de direção – com muito mais frequência que gostaria, admito.

Mas a vida é uma bitch, e o tempo também. Hoje, é fácil pensar “puxa, 10 anos não é nada se vivermos 100”, mas ao chegar aos 100 (ou ainda, muito antes), se percebe que 10 anos desagradáveis pesam muito mais do que meses agradáveis e aí começa algo pior ainda “eu deveria...” e “eu poderia...”. Mas isso é coisa de quem trabalha com idosos e ouve isso o tempo todo. XD

Pior do que dizer “um dia...” é dizer apenas “um dia isso se resolve”, ná, ná... Ou a gente resolve ou coisas são resolvidas por nós, mesmo contra nossa vontade.

Nível de chatice acadêmica diminuindo, congrats! :)

Willyans Maciel disse...

É verdade, muita coisa é surpresa e temos que lidar de uma forma ou de outra, mas muita coisa é anunciada. Nós sabemos que aquilo vai acontecer mais dia ou menos dia e não nos preparamos para ela. Acho que é aí que as pessoas se arrependem mais. Mas claro, a perda de tempo.
Eu penso que a vida que não vivemos não existe, e trabalho isto na minha mente com frequência para perder menos tempo com o passado (escolhas ruins ou erradas) e não deixar de fazer o que precisa ser feito no presente. Porque no fim das contas o futuro logo vira presente e vai ser a mesma coisa se não fizermos nada. Esta é outra razão das pessoas lamentarem tanto quando estão idosas sobre os anos perdidos (não todas é claro, nem todos os anos), porque depois daqueles anos elas não fizeram nada.
A questão é, se eu tivesse tomado outra decisão a 10 anos, a minha vida seria diferente? Bem, esta vida que você não viveu não existe, não há como saber se seria boa ou ruim, melhor ou pior que esta. É claro que as vezes ficamos pensando "eu deveria ter feito antes" ou "gostaria que isto acontecesse antes" e não há problema com isto, desde que não nos impeça de pensar "o que eu vou fazer agora", o grande truque é conseguir olhar para frente e saber o que você pensaria lá na frente, do que está fazendo agora. É fácil olhar para trás e ver as oportunidades perdidas, mas se no passado há oportunidades perdidas, alegrias não vividas e momentos não aproveitados, talvez no presente também haja e nós não estamos vendo. Se formos capazes de ver isto, não sofreremos muito sobre o passado e as escolhas não feitas, mas entenderemos como fazer melhores escolhas agora.
Mas é precisa agir, e agir agora. Porque algumas destas escolhas estão amarradas, existe a regular shit, que se resolve com uma mudança de rumos simples, e as major shit, que não se resolvem muito fácil, já que são um conjunto de regular shit que acumulamos ao longo dos anos. Para estas precisamos olhar com calma e desembaralhar os nós com cuidado, para não causar mais dor e sofrimento ainda (a nós e àqueles com quem nos importamos).

Esta ultima parte me lembra o filme do Cash "Não Johnny, as pessoas resolvem as coisas para você e você acha que elas se resolvem sozinhas".

Thankx. É bom saber ;p