terça-feira, 19 de abril de 2016

Afinal, o que é o verdadeiro budismo?


Sem aula de história e direto ao ponto!

No budismo não há deuses (embora algumas alegorias possam ser usadas as vezes, são apenas isto, alegorias pedagógicas), nem messias (um mestre é tão humano quanto qualquer um, mesmo que atinja o estado de Buda), o budismo é de humanos para humanos, de vida à vida (relação de mestre e discípulo / mentor e aprendiz).

No budismo há apenas o esforço de cada pessoa para atingir o mais alto grau de compreensão, e aplicação dessa compreensão, da Lei de Causa e Efeito, manifestando assim sabedoria e coragem ilimitadas, entre outros atributos, no mais alto estado de vida, que chamamos de Estado de Buda.

Desta forma atingindo a verdadeira felicidade, ao eliminar o sofrimento, já que por meio da prática (da meditação ativa e da ação no mundo) e do estudo  (da causalidade e da natureza da vida) se compreende as causas dos efeitos que nos afligem e as causas que devemos gerar para transformar isto em algo benéfico (transformar o veneno em remédio) manifestando a fé budista - plena convicção na vitória infalível.

Na teoria budista não existe espaço para castigo e recompensa, apenas vitória ou derrota. A prática budista não poderia ser diferente, budistas nunca se resignam com o destino, pelo contrário, buscam entender que o que acontece é fruto de causas anteriores (no sentido mais mundano possível), individuais (que a própria pessoa gerou) ou coletivas (grupos, nações, famílias, etc) e agem para mudar este destino, gerando causas que terão efeitos mais favoráveis.

Transformando a si mesmos para transformar o ambiente. Nunca esperando nada do que lhe é externo, sempre agindo com autonomia.

O objetivo é tornar-se o mais eficaz possível neste processo, atingindo assim a verdadeira felicidade ao escapar da Escuridão Fundamental (a incapacidade de ver e viver de acordo com a Lei) e não apenas alegrias efêmeras.

Budistas que tentam divinizar algum dos budas, dar um sentido mágico para a Lei ou que tratam algum Buda ou Bodhisatva (estado anterior ao Buda) como santo ou messias estão corrompendo o sentido do budismo, seja por ignorância ou má-fé, e certamente não irão colher os melhores benefícios da prática.

Na verdade, estas pessoas tendem a ter problemas, pois estão ignorando o aspecto humano do budismo, passando a esperar algo de fora ou algo que não existe, o que em geral significa esperar o efeito de uma causa que não gerou. É como tentar matar a sede pedindo para que o Gasparzinho lhe traga um prato de sal.

Para saber mais acompanhe o marcador Estudos Budistas, especialmente o post O que o Karma não é

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