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quarta-feira, 16 de março de 2016

Diálogo sobre drogas - Expandindo a partir do texto Maconha, Liberdade e Shakespeare

Nota do editor: Este texto utiliza o texto "Maconha, Liberdade e Shakespeare ou Porque eu apoio que maconha seja uma produto livre e legal" como base para o início de um dialogo acerca das drogas. Começamos incluindo meus comentários e contrapontos em cima do texto original, os próximos posts da série terão uma forma de diálogo mais livre.
- Willyans Maciel



V: Ao longo do tempo, conheci diversas pessoas que fizeram uso de maconha. Pessoas que vão de completos imbecis a gênios. Professores para dar aulas, amigos para ter bons momentos, estudantes para discutir, atletas para treinar ou comer mais ou sentir menos dor, escritores para escrever, músicos para tocar ou compor... mesmo doentes terminais (sugestão de filme invasões bárbaras, sushauhasu), pessoas esperando pela morte, que apenas querem aproveitar o momento, ter mais apetite, comer e se sentir melhor.
Essas pessoas não deveriam ser livres para isso? Elas realmente não podem ESCOLHER isso? E todos os povos indígenas e seus descendentes? Dentre tantos outros. Onde fica a liberdade cultural e religiosa?
Colocar esse tipo de pessoa na mão de traficantes é cruel.
Não é porque você pode ir comprar um maço de cigarros na banca da esquina que você, efetivamente, seja obrigado a ir lá, comprar e fumar! Não é porque você é livre para comprar alcool que você irá comprar dez garrafas de Jack Daniel's e beber tudo no mesmo dia. Não é porque (marca de fast food de sua preferencia) é gostoso que você irá comer cada refeição, a cada dia, lá (ou o suficiente pra ficar doente, sei lá...)
Sim, o excesso é ruim, todos sabemos disso. Mas só porque algo é legalizado é bom pra você?Todas as coisas legais são boas pra você?

Quantas coisas ilegais hoje, eram legais a poucos anos atrás? Quando eu cresci, minha casa tinha muitas armas. Daí, um dia, o governo proibiu as pessoas de terem armas. A violência foi nas nuvens. Nós não podemos nos defender. Precisamos esperar que alguém tome conta de nós. *Estado babá safardana!
O estado não é uma pessoa, pessoas precisam aprender a cuidar de si mesmas.

W: Outro erro é achar que existe um fundo moral na proibição. Em geral, governos e seus militantes sofrem de um mal crônico, o relativismo moral.
Algo é ruim e deve ser proibido, até que lhes traga benefícios.
É claro que há pessoas lá que tem seus princípios fortes, mas em geral, o governo opera de acordo com conveniências. Cada indivíduo precisa cuidar da própria vida e fazer suas próprias escolhas, porque amanhã o governo pode achar que maconha melhora a arrecadação e liberar, sem nem pensar no seu filho com o qual você ainda não conversou sobre vícios (alias, isto está quase acontecendo, right now).

V: Sobre maconha, algumas pessoas irão experimentar e deixar de lado, ou usar de uma forma inteligente, como Shakespeare. Ou não, podem ser idiotas, é uma decisão pessoal. Mas idiotas sempre existirão. E as drogas também.
Se você quer ser livre, você precisa permitir a liberdade do outro.
Se você conhece uma pessoa morrendo de câncer que quer fumar maconha, o que é melhor para essa pessoa ou para quem cuida dela: ir a uma farmácia ou coffeshop (google: "coffeshop amsterdam" oh yeah 3:) ) no seu quarteirão, ou ir a um lugar perigoso, com pessoas perigosas, em um ambiente violento e correr o risco de ser morto, ter o dinheiro roubado, se envolver em brigas ou pegar um "produto ruim".
Traficantes farão qualquer coisa para te colocar nas mãos deles. Farão todo tipo de mistura com a sua droga e podem te dar qualquer coisa. Nunca confie em traficantes, especialmente usuários. Eles tentarão muito induzi-lo a drogas pesadas, especialmente pelo lucro. E vão mentir pra você. E estou pegando leve aqui, porque esse não é o ponto.

W: Para quem acha que a proibição ajuda em algo (além dos números que qualquer um pode consultar pela internet), conheço pessoas que entraram na maconha pelo cigarro legalizado.
Porque o cigarro é legalizado e a maconha não? Se a maconha as vezes é a entrada para as drogas pesadas e o cigarro as vezes é a entrada para a maconha.
Além disso, em um ambiente sem a proibição e sem todo o mercado negro criado por ela, as pessoas se drogariam por escolha própria (como acontece com o cigarro). E se você quer se drogar, é problema seu.
Particularmente, eu acho que é uma atitude idiota, mas eu não tenho direito de te coagir a não fazer. E se eu não tenho esse direito, o estado também não pode ter.
E por isso nem me passa pela cabeça a ideia de proibir tudo. Açúcar vicia, sabia? Quer proibir o açúcar?
Não é culpa das drogas que as pessoas se viciam, é culpa das pessoas.

V: Venda "livre" -> cliente (decide livremente, é adulto e responde por si, o uso não irá causar danos maiores do que o álcool, por ex) -> menos violência -> menos usuários de drogas pesadas -> menos dinheiro para traficantes pequenos (sim, eles vão criar "novas coisas", mas vão perder 60% *esse numero é um óbvio chute* dos clientes regulares, pra quem vão oferecer amostras grátis? rs) -> menos traficantes -> mais empregos regulares (do cultivo ate a mão do vendedor, sem falar de burocratas, novas marcas que vão acabar surgindo, pesquisa, cosméticos - minha pele teve boas experiências, mas posso dizer não deixa ninguém doidão. INFELIZMENTE! kkkkkk... - Mas já existe e cresce uma indústria fantástica em torno disso ->; mais dinheiro = mais gente feliz.

EU não tenho que dizer o que é certo ou errado, por isso as pessoas gritam tanto sobre isso. Não importa se fumar maconha é "certo" ou "errado", tem muito mais coisas por trás disso e ser menos retrógrado nos juízos de valores é a melhor opção na saúde, na economia, na violência... Mas você precisará lidar com a possibilidade de que outras pessoas fumarem. Não é engraçado? Você precisará de argumentos para falar com as crianças, a população, você terá de ensinar e isso é difícil. Precisarão fazer mais pesquisas, e isso é difícil.

W: Precisamos acabar com a maior mentira que contamos ao jovens sobre as drogas: que elas matam.
Vamos encarar a verdade, há pessoas usando crack a anos, elas tem uma vida grotesca, mas não morreram.
O verdadeiro problema das drogas é que elas tiram a sua capacidade de decidir, lhe privam da autonomia.
Aquelas pessoas na crackolandia, elas não tem mais poder decisão, são escravos das drogas. E dificilmente sairão dessa situação.
Isso é o que temos que fazer o jovem entender.
Não se iludam com o discurso proibicionista. Para começar, sem a proibição muitos nem teriam chego no crack.

V: Nem todos são como Shakespeare quando fumam maconha... Shakespeare é menos gênio porque ele fumava? Ou se ele não fumasse ele nunca seria tão incrível? Eu não ligo!

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