Páginas

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Memórias da minha primeira corrida de rua - Parte 2 de 3

Corrida do Centenário
Perto da chegada, todos felizes
Nada melhor do que começar o ano falando de um dos meus esportes favoritos, corrida de rua. E como eu já comecei a contar essa história aqui, vou continuar antes de começar a contar outras.
Eu pretendia separar o post em duas partes, mas terei de fazer em três pois é bastante coisa, pois é muita palhaçada que fizemos. Na verdade eu meio que não lembro de tudo o que aconteceu de fato e vou dar uma relembrada antes de postar aqui, conversando com os amigos e revendo vídeos e fotos.
Se você chegou agora de uma olhada nas Memórias da minha primeira corrida de rua - parte 1.
Enfim chegou o dia da corrida. Eu dormi na casa do amigo Ebraim para sairmos juntos pela manhã.
Primeiro veio a dúvida, a maldita dúvida, estava chovendo e nada pior do que uma chuva para te fazer focar nos obstáculos ao invés das oportunidades, é engraçado, mas hoje eu adoro correr com chuva. No entanto naquela época, sair na chuva, para correr uma corrida que sabiamos que não venceriamos, ficar cansado, com as roupas molhadas e humilhados pelos idosos corredores. Tenho de admitir que era uma perspectiva bem desanimadora. Mas então alguma coisa dentro  de mim perguntou, em tom de motivação, "O que o Rocky Balboa faria?" e para nossa sorte eu repeti isso em voz alta, mais porque achei que seria engraçado do que por motivação ou algo do tipo.
Antes que eu pudesse rir do que tinha acabado de falar o amigo Ebraim respondeu "ele quebraria 6 ovos em um copo, beberia e iria para a corrida".
Pode parecer engraçado, mas naquele momento nós não rimos, pois sabiamos exatamente o que isso significava.. MOTIVAÇÃO. Se o Rocky pode, nós podemos. E foi exatamente o que nós fizemos.. Sim, eu disse EXATAMENTE. Ao invés dos dois infelizes apenas se motivarem e irem para a corrida, nós, que ainda não tinhamos tomado café da manhã, usamos a desculpe da falta de tempo para fazer exatamente o que o Balboa faria. Quebramos 12 ovos em dois copos, 6 para cada, engolimos a gororoba, pulamos na moto e fomos para a corrida.
Pode parecer empolgante, mas se você sentiu vontade de fazer o mesmo já vou avisando, aquela porcaria ficou girando no meu estomago por uns bons 20 minutos.
Eu já tinha comido ovo cru antes, não é o fim do mundo, embora não seja recomendável fora de situações de sobrevivência, mas geralmente era apenas um ou dois. Dessa vez foram seis.
Felizmente quando chegamos no Couto Pereira (é esse o nome do estádio do Coritiba F.C. né!?) já estavamos bem melhor e mais motivados, todo aquele ovo, que é um dos alimentos mais completos do universo (só não tem vitamina C), acabou nos dando uma boa energia. E tirando os arrotos esporádicos, estavamos bem.
Fizemos um aquecimento e um pouco de alongamento meio que as pressas, pois demoramos para achar o guarda volumes, sim esses eventos são muito bem organizados, e tirar as roupas de chuva que usamos para ir de moto, de modo que faltava menos de 5 minutos para a largada quando começamos a aquecer. Aquecemos e alongamos na escadaria do estádio, que para nossa sorte ficava perto da largada. Sorte mesmo pois nem sequer nos preocupamos em olhar o mapa para saber em qual lado do estádio seria a largada.
E então corremos para a linha de largada. "Corremos" é eufemismo, pois com a quantidade de gente que estava lá esperando para largar nós quase não avançavamos, iamos esquivando das trombadas, pendulando por baixo dos braços, esgueirando-se. No entanto, por algum milagre, chegamos bem perto da linha de largada alguns segundos antes, tinha até uma foto em que dá para ver minha cabeça, infelizmente não sei onde salvei. Acho que só tinha umas duzentas pessoas na nossa frente, o que é bem pouco em um evento com mais de mil e quatrocentos corredores inscritos. Digo inscritos pois esses eventos sempre tem penétras que usam dos recursos disponibilizados aos corredores inscritos sem pagar as taxas que pagamos. É verdade que eles não recebem medalhas nem tem seus tempos registrados e não ganham kits da corrida com bonés e camisetas, mas ainda assim eles usam o bem mais precioso para um corredor, a água.
Sério, as inscrições hoje em dia até estão meio abusivas em algumas corridas, como a Meia Maratona de Curitiba, que tem uma organização muito porcaria, mas em geral a inscrição não é cara, a Corrida do Centenário, da qual estou falando aqui, não custou mais de 35 reais, acho até que foi 25 na verdade. É muita sacanagem aparecer sem pagar. Para não falar naqueles que levam a familia inteira para ficar seguindo eles de bicicleta no meio do percurso. Nessa corrida não havia uma regra que impedisse, mas é uma questão de bom senso, não é preciso dizer que dez pessoas passeando de bicicleta no meio da largada e no meio da corrida vão atrapalhar os corredores.
Este capítulo termina no momento da largada, um barulho de corneta e centenas de pessoas aglomeradas começam a largar como um Energil C efervecendo na água, é muito legal de se ver.

Nenhum comentário :