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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Memórias da minha primeira corrida de rua - Parte 1 de 3

Eu, acabado, quase terminando a prova
Estava essa semana lembrando da primeira corrida de média distancia que participei. Foi a corrida do centenário do Coritiba Futebol Clube, 10,1 km. Eu nem gosto de futebol, como todos sabem, mas o evento foi uma boa desculpa para começar com esse hábito muito saudável e prazeroso. Fiquei meio relutante no começo, por ser um evento ligado a um time de futebol, mas o amigo Ebraim me convenceu que seria um bom desafio, principalmente porque estavamos precisando levar nosso roadwork (o treino de corrida das artes marciais) a sério, mesmo não sendo uma tradição na escola que frequentavamos na época, então eu acabei aceitando participar.
Fizemos a inscrição pela internet, e só de verdade treinamos uma vez, mas por algum motivo, provavelmente ingenuidade, estávamos muito confiantes, até achávamos que poderíamos ganhar uma das camisetas oficiais do time que eram prêmio para os dez primeiros. Obviamente não sabíamos que havia todo um estilo de vida em torno das corridas de rua. Mas caímos na real quando fomos buscar o kit (chip, camiseta e número de peito) e vimos um senhor, de uns 60 anos ou mais, completamente sem pretensão de vencer, cuja panturrilha era mais grossa que a minha coxa. Ouvimos a conversa dele com o atendente da Procorrer e quase imediatamente assumimos o papel de iniciante humilde, pois percebemos que não tínhamos qualquer chance. Na verdade, quase desistimos de participar da corrida naquele momento, parafraseando o grande lutador russo Alexander Karelin, aquele senhor treinava todos os dias como jamais treinamos sequer uma vez na vida (Ao menos no que diz respeito à corrida, pois nas artes marciais nos matávamos de treinar) e ainda não tinha pretensão de vencer, se aquele senhor não tinha pretensão de vencer, de onde tiramos a idéia de que poderiamos? Eu não sei, mas ao menos essa idéia nos impulsionou a nos inscrever e participar, o que acabou por ser algo bom. Como nas artes marciais, percebemos que havia outro tipo de vitória possível, a vitória sobre si mesmo, estabelecer um tempo e depois trabalhar para melhorá-lo e se tornar um corredor melhor, corrida após corrida, como eu falo no post "Do que eu falo quando falo em corrida". Ouve uma época, mais ou menos dois anos depois disso, que participavamos de três corridas de rua por mês, sempre melhorando nossos tempos, mesmo que só alguns segundos. Para ser sincero, essa era nossa única opção pois do contrário seria uma humilhação perder para os velhinhos, mas correndo contra nós mesmos podiamos estabelecer um tempo e ignorar o fato de que todos estavam nos passando.
Só temos uma foto de cada dessa corrida, a minha é essa que ilustra o post, que um senhor que não estava participando tirou e compartilhou no perfil dele no Orkut, faz tempo, ainda era a época em que as pessoas não tinham vergonha de dizer que tinham Orkut.

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