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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Torcer é uma questão de afinidade

Jogos olímpicos
Estive pensando sobre isto desde as olimpíadas. Pelo que sei, essa história de quadro de medalhas quem faz é a imprensa dos próprios países, pois para o comitê olímpico internacional (COI) só há classificação por atleta, mas é claro que lá, diferente do campeonato mundial, os atletas representam seus países de alguma maneira.
Então começaram as discussões, se era patriotismo ou nacionalismo torcer só para o seu país, se deveríamos torcer individualmente, discussões sobre esportes que não são populares no Brasil, esportes nos quais não competem brasileiros, etc.
Eu comecei a pensar mais sobre o assunto, e cheguei a conclusão de que torcer é questão de afinidade, não é algo se decida de antemão ou por critérios rigorosos, você precisa sentir que tal atleta merece ganhar, e precisa se interessar pelo esporte, é claro.
Não tem essa de assistir para prestigiar o Brasil. Se você não gostar do esporte vai torcer para que acabe logo. Se o atleta brasileiro não captar sua atenção você não vai desejar a vitória dele.

Algo que deixa transparecer isso são os esportes em que o Brasil vai mal, como a esgrima ou a luta olímpica (wrestling). Chega na final, o brasileiro não está lá, e você não fica imparcial, você torce para alguém, alguém que você escolhe na hora, ou escolhe por alguma afinidade prévia. Você conheceu o atleta, viu em uma entrevista e gostou, etc.

Eu por exemplo, costumo torcer para os atletas da Itália na esgrima, mas nestes jogos torci para o pessoal da Coreia do Sul. Primeiro por estarem indo bem e terem um modo de esgrimir que me cativou, e segundo porque estavam a ser sacaneados pela arbitragem desde o começo, acho que por isso senti empatia por eles.
No judo eu torço para os atletas da Mongólia e Rússia, pois gosto do estilo deles, mas gostei também do modo como os brasileiros lutaram e acabei torcendo para eles quando chegaram nas finais. Podem pensar o que quiserem, mas é verdade, a maioria só torce para o brasileiro quando ele chega nas finais. E fazer o que? Os atletas brasileiros não se preocupam em aparecer e divulgar seus esportes, como é que eu vou saber quem são os atletas, e por que vou querer procurar os caras no quadro de horários se eles próprios não estão nem aí para serem vistos?
Por exemplo, a Rosangela dos Santos, que quase mandou o repórter e a própria família, que apareceu na tela para dar um "Olá", a merda. "Ah, mas ela estava nervosa pela possibilidade de não passar para próxima fase", todos estavam, e ninguém foi tão grosseiro como ela, alias ela é grosseira até quando ganha. No revesamento, quando se classificaram para a fase seguinte, todas as atletas foram felizes conversar com o repórter, ela fez cara de "ah, some daqui", virou de lado com jeito de enfado e deu respostas grossas. Eu torci para que ela caísse de cara no chão, quem torce para alguém assim? Nunca vi atleta mais arrogante e grosseira que ela. Torci para outros países nas corridas de velocidade porque quem representava o Brasil era aquela insuportável, e para mim se você tem uma atitude tão feia quanto a dela, você se torna uma pessoa feia. Eu não vou torcer para ela só por causa da camisa amarela e shorts verde.

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