sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Em defesa da Rede Globo e contra o excesso de utilidade

A quarta maior emissora do mundo, com alguns dos melhores equipamentos, testando equipamentos de zoom que nem Hollywood tem ainda, com programas que são copiados por algumas das maiores emissoras do mundo, é brasileira e você só sabe reclamar? E ainda quer dar uma de patriota e preocupado com o desenvolvimento do país?
Posso resumir o que penso de tudo isso em uma única frase:
É uma empresa privada, se você não gosta não assista.
Não estou dizendo que é perfeita e incorruptível, estou dizendo que é uma empresa privada e precisa ser tratada como tal, isso minimizaria até os casos de corrupção, pois eles deixariam de fazer sentido, por qual motivo entraria em um esquema de corrupção se isso não atrair mais dinheiro para minha emissora? Mas este é um tema mais complicado que deixo para outra vez. Esse post é mais um desabafo, então perdoem alguns erros.
Como toda empresa, se você não gosta você não consome mais, e no caso de uma emissora de televisão aberta é ainda mais fácil pois ela não é a única fonte de entretenimento e informação, ainda há os livros, internet, esportes, jornais, revistas de palavras-cruzadas, HQs, etc. Isso para não falar da tv à cabo, o que me lembra de outro problema, a tentiva do governo de enfiar-nos goela abaixo os programas nacionais ruins pagos com nosso dinheiro, falarei disso ainda na semana que vem, prometo. Não é porque não tem nada em nenhum canal que você é obrigado a assistir a Globo sem gostar. Eu estou vendo os jogos olímpicos online, por um aplicativo, sem ter de me submeter à emissora que está transmitindo no Brasil, a Record. O brasileiro tem mania de tratar as empresas como se fossem repartições públicas. As emissoras passam aquilo que seus clientes querem ver, e o único meio de saber o que os clientes querem ver é pela audiência, então, se você não gosta de algo que passa em uma emissora, pare de assistir. Não precisa tratar a emissora como se ela fosse um político corrupto, contra o qual se protesta.
Alguns vem dizer, que a Globo tem que cumprir sua responsabilidade social. A única responsabilidade social que eu respeito é fazer o que se propõe, no caso das emissoras é transmitir sua programação, esse papo de que a emissora tem de transmitir tudo o que acontece no país em termos políticos, ou que tem de ter programas "culturais" é bobagem, até porque algum grupo sempre vai se sentir menosprezado, a única obrigação da emissora é com seus espectadores, e pouca gente quer ver noticias "úteis". Alias, cultura brasileira geral é futebol, samba, novela, e todas essas coisas que os críticos da Globo chamam de inúteis só por não serem o que eles gostam. Em que sentido a música clássica é cultura e o samba não é? Sinceramente, eu não gosto de sambo, embora reconheça que alguns autores, principalmente os mais antigos, tem muito talento, mas não vejo superioridade cultural nenhuma entre a música clássica e o samba. Pode haver superioridade quando se aplica ao individuo, por exemplo a suposição de que quanto mais estilos musicais, e complexos, se tiver contato mais complexas serão as interações sociais e intelectuais da pessoa e isto tende a torna-la mais dinâmica para lidar com os problemas da vida, embora isto não se limite a música. Mesmo o chamado efeito Mozart se provou falso, dependente do gosto pessoal e não atrelado apenas à música clássica.
Meu avô sempre dizia, a busca excessiva por utilidade torna a vida cinza.
Quer utilidade, há outros meios, mas não tente transformar tudo em utilidade, ou tudo em política, pois isto vai acabar com o entretenimento, que é essencial para a vida das pessoas. Ninguém vive só de utilidade, vivemos de estética e diversão, e digo estética no sentido mais lato de todos.
E isso não vale só para a Globo, mas para todas as empresas. É preciso tratá-las como empresas privadas, concorrendo no mercado, assim eliminares muitos dos males que assolam esse país, e reduziremos o número de bobagens ditas por aí.

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