domingo, 15 de julho de 2012

Como o país do remo virou o país do futebol... e como usar isso Parte 2

Continuando o assunto iniciado na Parte 1.
Como popularizar seu esporte evitando os problemas e se aproveitando das vantagens?
Abrace o mercado e fuja do governo. Use a publicidade a seu favor e busque atrair pessoas dispostas a investir, mas também pessoas dispostas a assistir e acompanhar, e oferecer um público para o seu esporte, pois quanto mais gente gosta de um esporte mais as empresas patrocinadores percebem que vale a pena patrocinar um atleta daquela modalidade ou premiar os vencedores de competições, um exemplo disso são as corridas de rua, elas não atraem muito público para assistir o evento, mas atraem muitos atletas, já participei de corridas pequenas com 2000 atletas, e isso não apenas paga os custos fazendo valer a pena premiar os vencedores, como faz valer a pena o marketing investido, pois colocar uma marca no evento já significa que ao menos 2000 pessoas irão ter contato com ela. Os esportes de força, até onde sei, também atraem mais atletas do que pagantes, mas estes não conseguem atrair tantos atletas quanto as corridas por motivos diversos, entre eles a idéia errada espalhada graças, principalmente, as campanhas negativas da ANVISA. Se o seu esporte é atrativo para poucas pessoas, faça como a ópera, atraia aqueles que tem dinheiro. Invista na parte estética do esporte também, não estou dizendo para esquecer a funcionalidade, longe de mim, estou dizendo que um campeonato realizado em um lugar feio e sujo não apenas é ruim para os atletas, mas não deixa a audiência a vontade, e não faz as pessoas quererem estar ali. É preciso pensar nos seus fãs, como falei no caso do Anderson Silva.
A atitude para popularizar um esporte precisa partir das pessoas ligadas ao esporte, não dá para esperar que as pessoas adivinhem que o Guga entrou para o Hall of Fame do tennis ontem, 14 de julho de 2012, alguém precisa contar para elas e divulgar de maneira que as atraia. Do contrário elas irão continuar preferindo assistir aos comentários sobre a milionésima troca de clube de algum jogadorzinho fraco de futebol.
Essa semana está acontecendo o Mundial de Atletismo Junior em Barcelona, e muitas pessoas acabaram vendo e adorando, pois todos os esportes acontecem no mesmo lugar, então você pode alternar entre eles, pessoas que nunca pensaram em gostar de atletismo, pois achavam que era só corrida, se comprometeram a assistir todos os dias até o fim da competição. As pessoas não sabiam que é legal, não sabiam que há técnicas diferentes de arremessar o peso, algumas até engraçadas, outras extremamente difíceis. Estou certo que a maioria das pessoas do Brasil não sabe que já ganhamos 3 medalhas nesse mundial, o que é um número alto para a competição.
A internet está aí para ajudar, ao invés de ficar reclamando em casa, porque você não comenta no facebook as proezas dos esportistas da sua modalidade, de maneira divertida e atrativa, talvez criar uma página para sua equipe, ou para um atleta que você admira. Vale até explorar o fato de a modalidade ser pouco conhecida para atrair as pessoas, como faz a atleta, colunista da MF, Marília Coutinho quando fala de Powerlifting -ou levantamentos básicos, uma modalidade de levantamento de peso composta por exercícios básicos; ganhou alguma notoriedade graças a praticantes famosos como Arnold Schwarzenegger, Lou Ferrigno (O Hulk da tv), Franco Columbo, e outros, mas ainda é marginalizada, mesmo contando com atletas incríveis. Estou certo que muito não sabiam que ela, brasileira de 48 anos, quebrou um recordes mundiais de levantamento de peso recentemente. Alguns compartilharam a informação no facebook, e outros comentaram "Que legal, não fazia ideia". Isso senhores, é publicidade, e ela é fundamental para quem deseja ajudar o próprio esporte ou os esportes em geral. Eu mesmo só soube dessa atleta graças ao amigo, e também powerlifter Élcio Santos, do blog Demônio Filosófico, do qual já falei algumas vezes aqui.
Outro exemplo são os Corredores de Rua de Curitiba, uma especie de associação de corredores de rua amadores que se ajuda durante os treinos e corridas. Eles começaram com um fórum online, depois fizeram camisetas, e hoje tem site, página e grupo no facebook, tenda com frutas e isotônico nas corridas, uniformes, e as vezes até massagem. Não me recordo de tê-los visto nos jornais, mas o número de membros aumenta a cada corrida, assim como a comodidade que a relação entre os membros e a união de esforços e recursos proporciona.
Para quem quer um modelo de negócio a seguir eu sugiro o Curitiba Rugby Club. Recentemente, graças a esforços muito semelhantes aos que comentei aqui, fecharam contrato com a Renault, fizeram brindes e videos promocionais dos jogos. Antes disso fecharam com marcas menores, restaurantes locais, bares, entre outros, para começar a espalhar a informação sobre o esportes, criaram o site, perfil e página no Facebook e perfil no Twitter, mantendo dialogo constante com os fãs. E o Rugby brasileiro está crescendo muito com esse tipo de esforço.
Ao mesmo tempo convém manter o governo afastado dos seus negócios, pode parecer vantajoso ganhar um incentivo agora, e as vezes até é, mas a longo prazo isso fará do seu esporte refém do governo, eles vão querer decidir até quem ganha e quem perde de acordo com suas preferencias e apostas, e isso não é nada bom. Vale mais a pena dar a cara a tapa e ir nas empresas pedir patrocínio do que esperar alguma ajuda do governo, que alias, virá do dinheiro da segurança, que é a responsabilidade real do estado, e que ele não cumpre.
Um exemplo de como o estado pode ser ruim para o atleta foi o Cesar Scielo, infelizmente a entrevista não está disponível on-line, mas foi em uma entrevista para Men's Health que ele contou como, depois de todos os esforços que sua família e ele fizeram para que ele pudesse treinar e se tornar esse grande atleta que é hoje, o governo federal teve a cara de pau de chantageá-lo para que ele aparecesse em uma campanha pré-eleição com o então presidente dessa república da mãe joana, Luiz Inácio da Silva, exaltando as vantagens de ser um atleta brasileiro. Se eu achar a revista digitalizo e atualizo o post.
É claro que há mais elementos, não estou dizendo que encontrei a verdade absoluta por trás do problema de todos os esportes, longe de mim. Acredito que os problema e situações aqui apontados são factíveis e importantes de se considerar, mas ainda há elementos específicos talvez até mais importantes em cada esporte que precisam ser considerados e discutidos.
Então, amigos atletas e amantes dos esportes em geral, o que tenho a dizer, embora não seja tudo o que se tem para dizer, é isso:
Continuem o bom trabalho, pois temos atletas magníficos nesse país, e não esperem ajuda do governo, pois ele dá com uma mão e tira com a outra, e o que dá nem é dele de fato. Mas talvez a principal lição que aprendi nos últimos tempos é que precisamos nos concentrar na publicidade de nossos esportes, e parar de reclamar que o povo só gosta de futebol, até porque as pessoas tem direito de gostar de futebol, como nós gostamos dos nossos esportes. Assim atraíremos mais pessoas interessadas, mais espectadores, mais atletas, mais pessoas para nos apoiar e ajudar a conquistar nossas metas, e isso nos fortalecerá, talvez não solucionando todo o problema, mas certamente sendo parte da solução.

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