sábado, 14 de julho de 2012

Como o país do remo virou o país do futebol... e como usar isso Parte 1

Antes de mais nada, não estou dizendo que quero o fim do futebol, mas explicando o processo pelo qual o futebol se tornou o esporte mais popular do Brasil, dentro das minhas limitações, pretendo falar sobre o que entendo ser a causa da impopularidade de alguns esportes e de alguma estratégia para romper a barreira.
Sim meus caros, o Brasil já foi o país do remo. Foi no início do século XX, quando o Tietê ainda era limpo e bonito, muitos clubes que hoje são conhecidos apenas pelo futebol eram clubes de remo, e eventualmente de outros esportes, mas principalmente de remo.
Sabe, isso me agrada muito, pois o remo é muito bom para a saúde e para o físico em geral, além de ser uma atividade relaxante, que exige concentração, mas também pode ter adrenalina, no caso de competição. Naquela época havia o apelo da tuberculose, todos queriam pulmões fortes para evitar este mal.
Se eu pudesse escolher entre futebol e remo iria querer que o remo ainda fosse nosso esporte mais popular, mas enfim... Para entender melhor o cenário do remo no final do século XIX e início do XX no Brasil veja esta pequena matéria no site do Chivalry Club.
Muitas pessoas reclamam do futebol e da inexpressividade dos outros esportes na imprensa. Sem saber exatamente de quem é a culpa surgem as mais variadas afirmações, dizem que é culpa da imprensa, que é culpa do mercado, que o povo é burro, que é culpa do governo, que falta incentivos, etc.
E não vou dizer que tudo isso seja errado, vou apontar o que considero a causa principal, cultura. Ora, algo só vende mais se as pessoas comprarem, e os comerciantes não obrigam a comprar os produtos, eles na verdade se adaptam para vender o produto que o consumidor quer, e o consumidor tende a querer aquilo que é parte de sua cultura. Isso pensando em uma situação ideal, no Brasil alguns fracassados são sustentados com nosso dinheiro e leis são criadas para nos impedir de comprar de outros, nos obrigando a comprar dos fracassados, isso se chama protecionismo intervencionista, típico de um estado social-democrata como o nosso. É isso aí amigo, você não manda nada, até as eleições para vereador não são voto direto, você não elege o cara em quem votou, mas os vagabundos por trás dele, você pode votar no liberal que é candidato pelo PSL, na falta de partido melhor, e acabar elegendo o comunista do PCdoB, pois os dois partidos estão na mesmo coligação. Isso é importante para entender o tipo de cultura em que vivemos.
Primeiro temos de entender como um país com um esporte tão arraigado na cultura do povo muda totalmente para outro, esquecendo o primeiro.
O principal elemento é a divulgação associada a grandes feitos. Não basta ser bom, você tem de parecer bom, as pessoas tem de saber que você é bom e tem de te admirar e querer ser como você, por você ser bom. E para que isso aconteça você precisa de publicidade, uma publicidade constante e forte, persistente e influente, tanto durante a competição quanto fora. Veja o Anderson Silva, lutador de MMA. Ele é carismático antes e depois da luta, mas algumas reclamações, e várias notícias falando dessas reclamações, de que ele teria sido grosso com dois fãs em um shopping e em um restaurante colocaram metade dos fãs de MMA contra ele. Por outro lado o carisma do Bolt fez muita gente ir parar nas pistas de corrida, e vendeu um número recorde de ingressos em sua passagem por Roma. Mas é importante notar, o carisma não faz nada sozinho, o atleta precisa ser bom, isso é fundamental, é primitivo, essencial.
No caso do futebol havia uma pessoa por trás de um jornal, Mario Filho e seu jornal Sports. Este jornal trabalhou muito para fixar o futebol e divulgar os feitos dos praticantes. E mesmo assim o processo não foi rápido. Os clubes tinham o futebol como tem o remo hoje em dia, era parte do clube, mas ninguém ligava muito, era só mais um esporte para que o clube tivesse mais opções para quem não se interessava pelo esporte principal. Mas com a publicidade o povo começou a perceber as vantagens do futebol. Vantagens práticas, como o fato de que poderia ser praticado em qualquer lugar , semelhante ao que aconteceu com o Cricket na Índia. Com o aumento do interesse do povo os clubes começam a perceber que o futebol daria dinheiro e investir nisso, mas eles não investiram para obrigar o povo a gostar, eles mudaram quando o povo mudou e começou a se interessar mais pelo futebol, uma mudança cultural. Um paralelo aconteceu na França com a popularização do ciclismo, que antes da criação do Tour de France não era tão popular.
Não vejo nada de errado aí, se você consegue atrair espectadores para o seu esporte você conseguirá financiá-lo e fazê-lo crescer, tudo dentro do funcionamento do mercado, e de maneira livre, essa é a parte boa e também uma dica para os esportistas que querem popularizar seus esportes, principalmente hoje com a internet em alta.
O estado também percebe isto, e como em um estado protecionista os governantes se aproveitam do dinheiro público em benefício próprio, de maneira corrupta, perceberam também que seria uma ótima maneira de lucrar, e passaram a incentivar o futebol. E lucram de mais de um jeito, já vi vários vereadores eleitos pelas torcidas dos times que eles torcem. O que acontece com outros esportes também, e na verdade é o mal da popularização do esporte no Brasil, acaba virando mais um meio dos governistas manipularem o povo, e é horrível ver seu esporte sendo usado para fins de politicagem. Alguns falam que vão oferecer incentivo ao esporte para ganhar eleitores, mas isso só gera mais leis inúteis que restringem a atuação dos próprios esportistas, como o caso das bolsas, que te impedem de aceitar patrocínios. O patrocínio é a base do financiamento do esporte, principalmente em termos de publicidade, e é o melhor meio de fazê-lo. Se a questão fosse só incentivo financeiro o golfe seria o esporte mais popular do mundo, pois está cheio de gente rica jogando.
E foi assim que o Brasil virou o país do futebol, no bom e no mal sentido.

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