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segunda-feira, 12 de abril de 2010

São Paulo, impressões de viagem.

    Não meus caros, não abandonei Curitiba, apenas passei alguns dias em São Paulo, a trabalho. Neste post falarei das impressões que a cidade me deixou, evitando, tanto quanto possível, juízos de valor.

Não fiz turismo, vivi o dia como uma pessoa local (mutatis mutandis), trabalhei, almocei, trabalhei, dei uma olhada nas vitrines e depois fui para o hotel. É muito fácil se enganar quando se faz turismo, visita-se apenas os lugares cool, com novidades e especialidades locais, essa é a diferença entre o turista e o viajante, dizia meu amigo Elton Marques, o turista leva a casa junto, ele conhece as coisas boas do lugar, come em bons restaurantes, enfrenta alguns transtornos mas sai de lá o mesmo. O viajante é aquele que senta na praça local, come a comida de todos os dias, toma um pingado na panificadora da esquina, pega metrô e compreende o modo de vida das pessoas.
É claro, não me considero um especialista no modo de vida das pessoas de São Paulo por ter passado três dias na cidade, até pois há paulistanos que nunca pegaram metrô, mas posso dizer que compreendo mais o povo agora, do que quando passei uma semana lá, no começo do ano, semana na qual eu trabalhava, ia de carro ao hotel, depois jantava com o pessoal das reuniões e voltava para o hotel. Como também não me acrescentou muito ter visitado aquela e outras cidades quando criança.
Primeiro a poluição, holy shit, ainda estou tentando tirar a fuligem do nariz, parecia que o ar era 90% dióxido de carbono no primeiro dia, depois me adaptei, 'we always adapt', como diria Goodchild.
A cidade é meio cinza, o padrão estético deles, se é há uma atenção, a minha impressão sobre as edificações contemporâneas da cidade é que eles estão focados em um pragmatismo arquitetônico, não sei se essa expressão existe, mas é o que melhor expressa minha opinião sobre este ponto. As construções são feitas para serem fáceis de construir em qualquer lugar, como estão ficando as de Curitiba também. Algumas valas enormes ao lado do metrô, momentos nos quais ele fica suspenso, poderiam ser fechadas com plataformas, dando uma cara bem mais moderna ao túnel, mas os construtores não se importaram com isso. Talvez pelo custo, talvez por alguma funcionalidade que desconheço, talvez por que simplesmente não era necessário.
Um colega de trabalho comentou que "não há tempo", ou seja, quando eles preparam um projeto a cidade cresce demograficamente antes que seja possível concluí-lo, então acabam não focando tanto em estética para poder construir mais em menos tempo. É a interpretação dele, de minha parte não tenho dados suficientes para concluir.
Não me agradou o fato do café vir adoçado, tanto na sede da instituição quanto na panificadora, ao menos no restaurante era diferente, então fiquei sem saber se é uma característica da cidade ou dos locais onde tomei café. Não consegui tempo para ir a uma cafeteria, onde obviamente tudo é diferente, estou falando de cafezinhos.
Não utilizei transporte por ônibus, mas ao menos o metrô é bem funcional, com indicações por toda parte. Um pouco confuso na hora do rush, mas funcional.
Aquele cidadão típico, dos filmes antigos, quase não há (o que é meio comum na maioria das cidades hoje), devo ter visto uns 5 no máximo. Os orientais dominaram alguns bairros e há muitas pessoas de várias partes do Brasil. E os paulistas com os quais conversei não se agradam com essa situação, para eles a migração não resolve o problema daquelas pessoas, só cria mais problemas para a cidade destino e reduz a mão de obra da cidade de origem. Tenho minhas próprias opiniões sobre isto, mas deixarei para um post futuro, do contrário este post ficará muito extenso, mas respeito a opinião deles, de que a migração por necessidade, como é muito o caso em São Paulo, não é uma solução que traz benefícios; diferente da migração por vontade, ou por identidade com a cidade destino. Mas devo ressaltar que eu acho que a imigração, em geral, é uma coisa boa.

Willyans V. viajou, escreveu e revisou.
Este post faz parte da série impressões de viagem.

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