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terça-feira, 6 de outubro de 2009

The Story of Stuff (Atualização nos comentários)

Willyans V.: Este post é uma crítica ao video The Story of Stuff de Annie Leonard.
Assistam no box do Youtube, ao lado, há uma versão completa legendada em português para aqueles que não tem grande facilidade com o inglês. Percebam que com este post não critico a iniciativa da autora, pelo contrário, aprecio o trabalho, e há muitos pontos positivos no vídeo, mas aponto que devemos tomar cuidado com algumas confusões conceituais, para não nos perdermos em divagações que não serão levadas a sério.
Autores como Annie Leonard estão dispostos a culpar, ao menos em parte, as grandes corporações pelo problema ambiental da exploração dos recursos naturais, acusando os governos de permitir que essas corporações tornem-se maiores que eles, supondo o governo como uma instituição separada do povo que tem para com este funções paternas, como proteção, gestão e, principalmente, uma instituição que sabe o que é melhor para cada um. Acusam as corporações de forçarem as pessoas a consumir e apontam como solução para o problema do esgotamento dos recursos naturais a supressão das corporações, fazem lembrar dos tempos de nossos avós em que cada pessoa produzia o que precisava para sobreviver. Minha opinião é que exigir dos governos uma atuação contra, ou sobre, o mercado é exigir um governo comunista, o que por si já é um problema, é extremamente simples, um governo nos moldes apontados pela autora é um governo que regula as relações sociais de acordo com o que é melhor para todos, isto é um governo comunista, não me ocuparei de refutar a possibilidade do comunismo aqui, uma vez que muitos autores já o fizeram e estou satisfatoriamente convencido de que não há motivo para dar a isto mais atenção. Ademais, não é possível em nossa época que dispensemos totalmente as corporações e os bens de consumo por meio delas obtidos, não podemos mais dispensar computadores, por exemplo, devido ao nosso volume de informações e a precisão exigida a alguns processos. Dia desses precisei de uma planilha que estava em nosso banco de dados, armazenado na sede da empresa que nos oferece sistema acadêmico na cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, a mais de 400 km de Curitiba, onde estou. O técnico responsável me enviou um e-mail com a planilha, que continha mais de 10000 registros interligados, coisa que precisaríamos de pilhas e mais pilhas de papel caso não houvessem computadores capazes de manipular esta informação. Não vou formular um argumento complexo para provar que a produção de bens materiais nos gera algumas facilidade e pode ser usada para evitar a destruição do planeta, isto é obvio demais. A evolução desses componentes, ou bens materiais, também é necessária e desejável. Creio que aqueles que pregam o fim das corporações e o retorno da sociedade a época da revolução agrícola demonstram uma profunda incompreensão de como funcionam estes componentes e do que funciona, ou não, em nossa sociedade, além de uma grande confusão entre as noções e consumo e consumismo. Acredito sim em um sistema de produção desses componentes com resíduo zero e total reaproveitamento, mas acho que o fim das corporações não é a solução; eu por exemplo, posso perfeitamente reparar meu computador, mas não conseguiria construir sozinho cada um dos componentes, e dada a estrutura da nossa sociedade, e a quantidade de informação que a ciência contemporânea nos pôs às mãos, como disse acima, duvido muito que possa dispensar o uso do computador. Concordo que as mulheres não precisam trocar de sapatos todos os anos, mas se os sapatos fossem de tal modo feitos que pudéssemos reaproveitá-los completamente na próxima estação, e o processo de fabricação não deixasse resíduo, não haveria problema algum em se trocar de sapato todo ano. Na minha forma de ver, a sociedade de consumo não é o problema para os recursos naturais, o problema real é a forma como se alimenta essa sociedade de consumo. Annnie Leonard reclama que as empresas de informática fazem computadores para que no ano seguinte mudem uma peça e você tenha de trocar toda a máquina, como técnico em hardware eu sei que isto não é verdade, na maioria das vezes cria-se tecnologia nova perfeitamente compatível com o que se tem em casa. É claro que algumas plataformas, como a da Apple, não funcionam assim, você não pode alterá-la, mas esta é a exceção e não a regra. Em geral PCs podem ser montados e remontados com a configuração que quiseres, eu por exemplo faço upgrades no meu PC todo ano e continuo com a mesma máquina. Mas acontece que as vezes a engenharia evolui, isto aconteceu três vezes nos últimos dez anos, mas não é obsolescência programada, como a autora tenta fazer crer, é o caso que descobriu-se um meio de melhorar a capacidade das máquina sem que no entanto se descobrisse um meio de compatibilizá-la com a tecnologia já existente, foi necessária uma revolução naquele tipo de componente, não é nenhum tipo de conspiração, é mudança para melhor. É claro que isto não pode ser dito de todas as áreas. O problema com o petróleo por exemplo, Annie poderia te-lo usado, já temos outras formas de combustíveis para nossos veículos que não os fósseis, carros movidos a água e eletricidade são realidade, mas recebem pouco subsidio para pesquisa e produção, além da pouca aceitação devido a propaganda e esforço dos que enriquecem com o petróleo. Esta, na minha opinião, é uma questão muito mais complexa do que apresenta a autora, e quando tratada da maneira que a Annie Leonard trata pode levar a ativismos banalizados, fazer com que as pessoas que não se importam considerem os ativistas jovens comunistas fracos aos quais não se deve ouvir. Quando na verdade o problema se apresenta a todos sem distinção politica, social ou de idade.

Willyans V. escreveu, revisou e está com sono, muito sono..

2 comentários :

Anônimo disse...

Olá. Quanto a seus comentários em relação a informática eu concordo.
Mas discordo em relação a associar Annie Leonard a um esquerdismo.
Pois uma crítica a sociedade de consumo não pressupõe uma postura socialista e, além disso, o ambientalismo transcende a esquerda ou direita.Por exemplo, quando ela fala das relações entre grandes corporações e governo, isso pode ser interpretado mais como 'protecionista' do que como comunista.(De qualquer forma, devemos concordar que decididamente não é neoliberal).
Outro ponto que discordo de ti é que a autora sugere que as grandes corporações são más e feias mas não diz que devemos exterminá-las.
Concluindo, concordo contigo no seguinte ponto:
"a sociedade de consumo não é o problema para os recursos naturais, o problema real é a forma como se alimenta essa sociedade de consumo."
Acho que o mais importante do vídeo é justamente o final: como conciliar as práticas de consumo consciente, sustentabilidade, reciclagem,química verde (?), lixo zero(?), produção de circuito fechado(?), com produção de bens, lucro, Mercado...

Ps:Ouvi falar de um livro que trata destas questões chamado "Capitalismo Natural" mas não sei se é um bom livro...

Abraços,
Flávio.

Willyans V. disse...

Olá Flávio,
Meu texto concorda com a posição de que questões ambientais transcendem questões políticas. Quanto a associar Annie a um esquerdismo, bem, não fiz isso, o que fiz foi dizer que por confusões conceituais ela acabou por propor um governo de esquerda, o que é bem diferente, também ao final sugeri que este tipo de confusão pode fazer com que as pessoas produzam preconceitos contra os ativistas, supondo-os jovens loucos de esquerda (A União Nacional dos Estudantes é a melhor demonstração disso, ninguém a leva a sério..rsrsrs), e que por isso é necessário tomar mais cuidado com as afirmações. Talvez eu tenha sido um pouco duro com a autora ao sugerir que ela aponta para a eliminação das corporações, mas estou supondo que isto se seguirá da aceitação de uma sociedade nos moldes por ela propostos. Pedir que as mulheres não troquem de sapatos todos os anos é pedir o fim da industria da moda, principalmente se houver um governo regulador impondo tabelas de preço, por exemplo.
Quanto a parte que concordas comigo, só posso dizer que, tenho ideia mui vaga de como chegaremos lá, mas me parece o único caminho possível, dado que não estamos a investir o suficiente nos programas espaciais para mudarmos de planeta.

Quanto ao livro "Capitalismo Natural", ainda não li infelizmente, na verdade soube da existência dele ao ler seu comentário, quando houver algum tempo procurarei (em pdf para não matar árvores hahaha-a)..

Abs..