quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Porque comprar livros no feriado? Uma jornada pelas Livrarias Curitiba.

Willyans V.:
//Este post deveria ser publicado em sete de setembro, mas por diversos motivos só pude posta-lo agora.//

Estivemos nas livrarias Curitiba do Shopping Palladium este domingo por indicação de um amigo, que me disse haveriam livros muito bons a preços muito acessíveis. Embora eu tenho detestado o Shopping, uma mistura de labirinto estilo Müller e lojas espalhadas estilo Cidade mas muito maior, a livraria é boa (em geral não gosto de Shoppings, então não precisam levar esta opinião como um crítica severa). É bem verdade que poucos títulos promocionais me chamaram atenção, entre os interessantes estavam 1808, de Laurentino Gomes, que conta a história da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, normalmente custa 45 reais e a edição juvenil em torno de 30 reais, mas no domingo, 6 de setembro o box contendo a edição juvenil, a edição normal e um dvd, custava 37 reais, a encadernação e a caixa com abertura na parte superior garantem proteção da melhor qualidade para a obra. O livro Atlantis, de David Gibbs, também me chamou muita atenção, pareceu uma boa estória, no estilo juvenil com um toque mais pesado, para alimentar nossas fantasias, infelizmente não haviam gravuras, como se faz um livro destes sem gravuras? Inadmissível, mas é o único erro, a encadernação é tão boa quanto a do 1808, saia por pouco mais de 30 reais se não me engano.
Havia também uma ilha de livros a 9,90, vários interessantes, como 'O que Aristóteles diria a Woody Allen', escrito por Juan Antonio Rivera, cheguei a ler algumas páginas, muito engraçado.
Mas o que mais me espantou não foram as promoções, mas o volume de pessoas na loja, segundo o vendedor que nos atendeu as vendas foram cerca de 300% maiores do que em um dia comum, e cerca de 200% maiores que de um domingo normal, a procura em geral é por livros psicografados(pfui pfui pfui) e auto-ajuda (pfui pfui pfui-2), também os do Paulo Coelho, pois estão extremamente baratos, 'Verônica decide morrer' por exemplo, além do preço de 15 reais, te dá um ingresso para ver o filme.. haha-a..
O engraçado é que essa explosão de vendas, em pleno feriado, não se deve exclusivamente as promoções, pois os livros de auto-ajuda e psicografados não estavam entre os promocionais, muito pelo contrário, estavam mais caros do que deveriam.
É fato que o curitibano tem dois programas básicos, se faz sol ele vai à praia, tostar, se não faz sol ele vai ao Shopping, gastar, também é fato que o curitibano, de classe média, lê bem mais que os outros brasileiros, assim como é fato que o referido Shopping tem chamado muito a atenção, pois é novo e grande, assim como o park-shopping Barigui chamou atenção quando inaugurado. Talvez a confluência de todos esses fatores tenha levado a explosão de vendas desse domingo, véspera de 7 de setembro. As promoções entram para atrair o público para dentro da loja, mas uma vez lá o cliente se encanta pelo mundo mágico da auto-ajuda, que promete levá-lo ao topo do mundo, e da psicografia que lhe oferece a esperança de vida pós morte, ou seja, as livrarias vendem a perfeição, felicidade nesta vida e na próxima, alimentando os dois principais tipos de vítima que constituem nossa sociedade.
Mas nem só de ilusões(com todo respeito) vivem as livrarias e conseguimos encontrar muito bons volumes, mais próximos do nosso 'estilo'. Os vendedores perceberam logo de inicio que não estávamos interessados em felicidade instantânea ou esperança e nos entregaram o que consideramos o verdadeiro ouro, livros técnicos, algumas biografias muito bem escritas, comédias e livros clássicos, não me agradou muito a estante de filosofia, muito voltada aos franceses e alemães trazia básicamente manuais de história da filosofia e alguns comunas, a parte de informática está em mais ampla do que a do Shopping Estação(o único shopping que gosto), mas vi uma predominancia de produtos Philips, o que pode desagradar alguns mas, se precisar de produtos dessa marca já sabes onde encontrar. Tambem algumas bolsas muito boas, mas nada que não se possa encontrar melhor em lojas especializadas.Em termos de enfeites, canetas e mimos para o escritório, é melhor ir até a loja do Estação, por outro lado a parte de material escolar é razoavelmente ampla, é possível encontrar praticamente tudo que as crianças precisam.
Acabamos por levar apenas dois volumes, O primeiro uma análise biográfica de Steve Jobs, intitulada 'A cabeça de Steve Jobs', por Leander Kahney, que tem um subtitulo engraçado, As lições do líder da empresa mais revolucionária do mundo, como se fosse possível aprender algo sobre liderança com o Maddog da Apple, ele é um lider completamente insano, aquilo só funciona com ele, qualquer um que tentar imitar seus métodos na empresa será atirado pelos funcionários do mais alto andar, além dos processos por assédio moral, mas é ótimo para conhecer um pouco melhor o homem por traz do MAC, além de ser livro obrigatório para todo cult-nerd (acabei de inventar essa), sai por 37 reais em qualquer tempo. O segundo 'Vinho sem segredos' de Patricio Tapia, um chileno muito do simpático, dá as dicas para se apreciar bons vinhos sem medo, além de explicar processos de fabricação, conservação dentre outros. Uma ótima obra para quem quer conhecer, examinar, esquadrinhar e sair vivo disso, como diz o autor, custou-me meros 17 reais (preço promocional é claro). Ao término da leitura talvez eu escreva algo sobre os dois.
Algo que é certamente uma vantagem estratégica é que você pode ler seu livro enquanto aprecia um ótimo expresso na cafeteria dentro da própria loja.
Minha opinião sincera: Se estiveres em um feriado, sem o que fazer e sem sol(ou se não gostares de sol), desejando um pouco de diversão e cultura, visite a livraria, não creio que ficarás decepcionado.

Willyans V. escreveu, revisou mais ou menos e fez um pouco de propaganda das Livrarias Curitiba, sem querer.


Nenhum comentário :