segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Reintegração de posse

Willyans V.:
Não raro encontro no jornal uma matéria sobre os coitadinhos que foram expulsos do local que ocupavam e não tem para onde ir, com seus muitos filhos e sem emprego. Em geral nenhum comentário sobre a origem dessas pessoas ou seus motivos, alguns sentem pena, outros demonstram raiva, mas os comentários são os mesmo, sempre, "e agora, o que vão fazer com as crianças"; "coitadinhos, sem emprego, o governo não os ajuda"; "vocês viram a violência da polícia?".
As pessoas entendem que é direito desses ocupantes residir no lugar invadido, como se fossem tão inocentes que a lei não devesse ser aplicada a eles. Eu pergunto, e o proprietário do local? Aquele que paga os impostos e detém a escritura, aquele que trabalhou pela propriedade, ou simplesmente herdou de alguém, mas neste caso alguém trabalhou para que ele recebesse essa herança, e não foram os "sem teto", que alias deveriam chamar-se "com teto alheio". Ouvi pessoas dizendo que não é justo tirar pessoas de suas casas e jogá-las a relento, mas eu pergunto, o que é justo? E eu mesmo respondo, na falta de uma melhor critério, justo é aquilo que está de acordo com nossas leis, pois as leis são feitas para abrangerem a todos os homens, e não privilegiar alguns, então elas se pretendem justas. É bem verdade que isto nem sempre se aplica inteiramente as leis do Brasil, aqui leis são muitas vezes feitas meramente para privilegiar, mas se começarmos a infringir as leis, por que algumas delas não coincidem com o que achamos justo, onde iremos parar? A lei infringida no caso desses invasores é a que trata da propriedade, se abandonarmos a propriedade teremos que lidar com sérios problemas. Nesse caso, ou entregamos todo o poder aos governantes do estado, o que é um suicídio político e econômico, ou caímos na luta desenfreada pela posse, onde o mais forte leva tudo, mas eu digo tudo mesmo.
Ademais, até hoje não vi uma reintegração de posse na qual as pessoas fossem deixadas ao relento, os jornais nem sempre falam, mas essas pessoas são encaminhadas a bairros residenciais construídos pela prefeitura local e albergues em alguns casos. Você pode me dizer, "Mas Willyans V. você acha justo mandar essas pessoas para albergues, sem emprego e com filhos?"; Se querem minha opinião sincera.. Se gastassem menos tempo fazendo filhos provavelmente teriam empregos. Mesmo para alguém completamente analfabeto há empregos (servente de pedreiro não precisa saber ler, é melhor quando sabe mas não precisa necessariamente). Se não tem emprego, por que faz filhos? Qualquer pessoa por mais ignorante que seja sabe que é preciso gastar mais quando se tem filhos, então, o que leva uma pessoa sem emprego a ter três ou quatro filhos? A completa ausência de dignidade eu diria, a ideia de que o "governo" é responsável por tudo e deve deles cuidar.
O brasileiro tem o hábito de reclamar do desrespeito a lei em um momento e apoiá-lo em outro.
Vou dizer: Falta lógica ao brasileiro. Lógica para perceber que suas posições são muitas vezes incompatíveis. Dá-se muito valor a emoção, ao ver as crianças sofridas e ramelentas, como se diz, levadas aos "albergues do mal". Ainda persiste o hábito de associar pobreza e simplicidade com justiça e bondade, eu digo, esta relação não é necessária, e na prática é muitas vezes o contrário que ocorre, o pobre e simples rouba seu carro, não porque precisa comer, mas por que é divertido roubar, muito mais divertido do que aceitar a vaga de emprego que o mercado da esquina oferece, por que parece mais vantajoso ganhar 500 reais com a venda de um carro roubado do que trabalhar um mês inteiro por isso. Parece mais vantajoso viver as custas de planos governamentais assistencialistas do que trabalhar pelo seu sustendo e da sua família. Se olharmos casos isolados talvez nos parece realmente mais vantajoso, mas então vemos o país, que gasta demais com assistencialismo e tem um PIB baixo, definhar, afundando cada vez mais, até não termos mais dinheiro para o assistencialismo. Sim, eu usei a primeira pessoa do plural propositalmente, pois nós somos a nação, o dinheiro utilizá-do para sustentar aqueles "coitadinhos" que foram expulsos da invasão é o nosso dinheiro, dos nossos impostos, do fundo nacional, é o dinheiro que você pagou a mais pelo produto, é o seu, o meu, o nosso dinheiro, do nosso stress diário, aquele dinheiro pelo qual você teve de ouvir o cliente ofende-lo e ainda convence-lo a continuar comprando o seu produto, aquele dinheiro pelo qual você labutou 44 horas semanais.
Esse dinheiro meus caros, vai para os projetos assistencialistas, vai para os albergues, vai para o combustível que a policia gastou para deslocar as viaturas até o local da reintegração de posse, quando poderiam estar protegendo o caminho que você faz para chegar ao trabalho. E o que houve com o "cumpra seus deveres para garantir seus direitos" que nos ensinavam na escola?

Quem tem direito no final das contas? O "sem teto" ou você?

Willyans V. escreveu, editou e revisou com Broffice, de acordo com as novas regras ortográficas.
Live long and prosper.

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