segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Inteligência Artificial: O Teste de Turing e o Quarto Chinês de Searle


Let's talk about A.I.
(Este rascunho pontual do artigo "O teste de Turing e o Quarto Chinês de Searle", de Willyans Maciel, tem por objetivo ser apenas informativo, o desenvolvimento dos problemas e soluções e talvez aparecimento de mais problemas a serem solucionados dar-se-á apenas no artigo final, que será publicado futuramente.)

Willyans V.:
Salve pessoas,
Inteligência artificial é um tema que chama atenção de muita gente, mas o que o grande público ignora é que esse não é apenas um trabalho da ciência, mas principalmente da filosofia.

O texto que segue ocupa-se da análise da Inteligência Artificial Forte (IA forte), em contraposição a já existente Inteligência Artificial Fraca (IA fraca), partindo da visão do filósofo
estadunidense John Searle, expressa em seu paper “Minds, Brains and Programs” através do
experimento mental “Chinese Room” (Quarto Chinês) que tenciona invalidar a posição assumida
por Alan Turing em seu paper “Computing Machine and intelligence” que deu origem ao que
chamamos hoje de Teste de Turing (TT), utilizado para testar a inteligência de programas.
Por IA forte entende-se uma forma de inteligência desenvolvida de maneira não biológica
que consiga raciocinar e resolver problemas, além de possuir auto-consciência. Esse tipo de
questão envolve temas como consciência e problemas éticos ligados a posição que devemos
tomar em relação a uma uma entidade cognitivamente semelhante aos seres humanos.A IA foorte deve ser capaz de emoções, auto-consciência, sonhos e raciocínio intuitivo.
Em contra partida, temos a Inteligência Artificial Fraca (IA fraca) que não é capaz de
verdadeiramente raciocinar e resolver problemas, esse tipo de IA não gera problemas éticos, pois apenas age como se fosse capaz de raciocinar devido a sua extensa programação, capaz de
prever variadas situações e efetuar cálculos lógicos com base nos dados obtidos. Uma IA fraca
programada para conversar poderia até discutir furiosamente com seu interlocutor, como se
estivesse tomado pelo mais profundo sentimento de ódio, mas na verdade estaria apenas
simulando um comportamento pré-programado.
Com interesse em averiguar a possibilidade de um programa de computador comportar-se
de forma inteligente, em 1950, Alan Turing publicou, na revista Mind, um paper intitulado
“Computing Machine and Intelligence”, onde aparece pela primeira vez o que chamamos hoje de
Teste de Turing ou simplesmente TT. O TT coloca duas pessoas e um computador em contato
indireto, ou seja, cada um em um espaço confinado comunicando-se com os outros dois por
teclado e monitor. Uma das pessoas, identificada como interrogador, formulará questões com o
objetivo de descobrir qual de seus interlocutores é a maquina e qual é o humano, visto que ambos devem agir como humanos. Se ao final do dialogo o interrogador não for capaz de identificar de forma correta qual interlocutor é a máquina, conclui-se que o programa é capaz de pensar.
Mas será que a aprovação no TT realmente indica que um sistema é inteligente e consciente, no sentido humano de inteligência e consciência?

A maioria dos cientistas supõe que sim, entretanto para o filósofo John Searle, o TT não implica inteligência, mas pode, por outro lado, nos levar a tomar uma IA fraca por uma IA forte. Em seu paper "Minds, Brains and Programs"1 Searle coloca o TT frente a um adversário de peso, o
experimento mental “Chinese Room” (Quarto Chinês). O sistema que será analisado pelo TT é aqui um ser humano, que compreende apenas o inglês, equipado com um livro de regras escrito em inglês e muito papel, sendo algumas folhas em branco e outras com símbolos indecifráveis.
O sistema está em um quarto, com um fenda que dá para exterior pequena o bastante para
que apenas uma folha de papel passe por ela. Por essa fenda chegam papéis com símbolos
indecifráveis à primeira vista. O sistema recebe as folhas com os símbolos, procura-os no livro de
regras, e executa a instrução. Essas instruções podem ser as mais diversas, desde escrever outros símbolos em folhas de papel e enviar de volta pela fenda, até organizar pilhas de papel.
Agora mudemos um pouco o foco, vamos olhar do exterior do quarto. Desse ponto não
vemos o sistema, mas apenas suas respostas, e percebemos uma atividade inteligente recebendo
instruções em chinês e gerando resposta em chinês. O problema aqui é que o sistema não
entende chinês, esse é um dado inicial, então, sabemos que não há compreensão por parte do
sistema. Assim como o sistema, o papel não entende chinês e o livro de regras tampouco entende
chinês, então, segundo Searle, está havendo apenas a execução de uma rotina, e execução de
rotinas corretamente, segundo ele, não gera, necessariamente, compreensão do processo, mas
apenas execução correta. A implicação disso é que, ainda que uma máquina possa passar no TT, isso não significaria que ela é consciente, no sentido em que o homem é consciente. Se não podemos identificar a consciência, então mesmo que criássemos uma IA forte o TT não seria capaz de diferencia-la da IA fraca que temos hoje.
Podemos alegar que, o processo pelo qual um homem aprende um idioma, é um processo
de armazenagem e referência, de forma que se a máquina efetua esse processo está agindo como
o homem, mas o objetivo de Searle aqui, não é dizer que a máquina não é capaz de executar
processos tipicamente humanos, o que de fato ela faz. O que Searle quer demonstrar é que, se um sistema passa no TT ele prova ser um sistema capaz de realizar tarefas humanas tão bem quanto um humano, mas ainda assim não há garantias de que ele encare isso da mesma forma que o humano, com consciência de sua atividade, então somos forçados a caracteriza-lo como uma IA fraca. O TT falha ao assumir que, se uma máquina pode executar os processos executados pelo homem, ela pode ser considerada uma IA forte.

Com isso, não temos que o experimento Chinese Room de Searle invalide a possibilidade
de uma IA forte, pois ainda restam muitos pontos não explorados por este texto, mas, como
pudemos observar, quando confrontado com Teste de Turing ele cumpre bem seu papel
demonstrando que o teste não é eficaz na constatação de uma Inteligência consciente, mas antes,
tudo o que faz é identificar máquinas executando processos humanos corretamente, independente da presença de uma consciência.

1 - (1980), "Minds, Brains and Programs", Behavioral and Brain Sciences 3

2 comentários :

sarah disse...

lerei depois...

mas confesso que achei que o quarto estava para o chines... assim como o sexto está para o empírico.. hahahahaha

aah.. pois é... minha alma foi embora mas tratou de deixar a preguiça por aqui.

beijoca

Willyans V. disse...

ahhaha..
Sempre tenho essa mesma impressão;.. hahahaha..