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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Saul Aaron Kripke (Atualizado)

Willyans V.:Olá pessoas,Atualmente, empolgado com a indicação feita pelo orientador do meu grupo de estudos, estou a ler Saul Kripke, e acho interessante compartilhar isto aqui, no blog, até pois escrever sobre é um bom meio de se organizar as ideias e receber críticas. Então, como diria Super Mario 64, "Here we go":

Pequena descrição (Essas informações que aqui jazem em carater meramente introdutório, podem ser encontradas facilmente na internet.):
Saul Aaron Kripke é um filósofo estadunidense, de grande importância (na verdade um dos mais influêntes e criativos filósofos vivos), de 68 anos, professor emérito em Princeton e professor de filosofia na City University of New York, que recebeu o Prêmio Schock de Lógica e Filosofia em 2001, em honra a quatro contribuições:
  • uma semântica para a lógica modal e outras lógicas relacionadas, publicadas quando ele tinha 18 anos.
  • suas conferências Naming and necessity, proferidas em Princeton em 1970 (publicadas em 1972 e 1980)
  • uma interpretação controversa de Wittgenstein
  • sua teoria da verdade
Fim das informações de caracter introdutório.

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Agora, com base em G.W. Fitch, em sua publicação Saul Kripke, da série de obras introdutórias Philosophy Now (referida a partir de agora meramente como publicação de G.W. Fitch sobre Kripke):

Não é exagero dizer que ele ajudou a moldar a face da Filosofia Analítica na segunda metade do século XX. Como o que me interessa mais diretamente no momento são as conferências Naming and Necessity(pois estou lendo a publicação de G.W. Fitch sobre Kripke, especificamente a parte sobre nomes, e procurando acompanhar o que Kripke mostra dentro dos textos das conferências) me focarei mais nas questões abordadas nelas, o que não é pouca coisa.
Essas conferências oferecem as seguintes contribuições, não necessariamente nessa ordem:

  • Uma teoria da referência
  • Uma teoria do necessário a posteriori
  • Uma teoria do contingente a priori
  • Uma teoria antimaterialista do dualismo mente-corpo
Vamos começar tratando a questão dos nomes, diretamente ligada a teoria da referência de Kripke, que eu acredito ter entendido razoavelmente bem.

Kripke é um inimigo declarado do drescritivismo, por isso as duas primeiras conferências atacam as teorias descritivistas dos nomes próprios, especificamente aquelas defendidas por algumas leituras possíveis de Gottlob Frege e Bertrand Russell. De acordo com a "concepção Frege-Russell", nomes próprios referem-se a um objeto pois esse objeto satisfaz uma descrição definida, isto parte da teoria de Russell de que alguns, não todos, os nomes são descrições abreviadas*1, ou referem-se a um conjunto de descrições definidas (cluster of descriptions) que o falante da língua associa ao nome próprio (isto é importante, o descritivismo não foi totalmente idealizado por Russell ou Frege, mas deles derivado). Entre os três principais argumentos de Kripke contra esta tese está o chamado "argumento modal"(os outros dois são o semântico e epistemico), que diz que, ainda que as descrições assossiadas ao nome se tornem falsas a referência se conserva, os outros dois argumentos seguem estruturas semelhantes, cada um em seu campo, aborda-los-ei assim que possível.

Exemplo: Eu sou Willyans V., posso ser descrito como autor do post sobre Fernando Pessoa. Digamos que se descubra no futuro que o autor do post na verdade foi Alex Knight, o nome próprio Willyans V. continua a referir-se a mim, não passando a referir quem quer que tenha escrito o post sobre Fernando Pessoa. Diremos então, o post assinado por Willyans V., na verdade foi escrito por Alex Knight, mas o nome próprio Willyans V. refere-se a Willyans V..

Kripke diria que Willyans V. é um designador rígido, ou seja, designa o mesmo objeto em todos os mundos possíveis (Vou pressupor que todos sabem o que são "mundos possíveis" para que o post não fique imenso, um dia posto algo sobre isso). O exemplo acima provaria, segundo Kripke, que, ainda que nomes próprios sejam associados por falantes a descrições, essas não tem nenhum papel a desempenhar na contribuição do nome à proposição expressa pela frase em que o nome aparece.
Pois essas descrições são contingentes, não é necessário que, para Willyans V. ser eu, eu tenha escrito o post sobre Fernando Pessoa.

Esse é o ponto em que vocês perguntam:
E qual a importância disso? Bem, isso mostra o quão diferente é o nosso uso de nomes do nosso uso de descrições. Se você não pode ver a importância de saber a diferença entre os dois, suicide-se.. ha-ha-ha-a (lots of laught).


Substituindo às teorias descritivas da referência, Kripke propõe o que por vezes se denomina teoria da cadeia histórica da referência. De acordo com essa teoria(ou imagem), um nome refere a um objeto segundo as conexões que os atuais usuários do nome herdam daqueles que batizaram o objeto. Nas palavras de Kripke:

"What is the true picture of what's going on? Maybe reference doesn't really take place at all! After all, we don't really know that any of the properties we use to identify the man are right. We don't know that they pick out a unique object. So what does make my use of "Cicero" into a name of him? ... Someone, let's say, a baby, is born; his parents call him by a certain name. They talk about him to their friends. Other people meet him. Throug various sorts of talk the name is spread from link to link as if by a chain."
(Naming and Necessity: 90-91)

É claro que ele diz isso depois de demonstrar os três argumentos, mas agora estou um pouco cansado, então paro por aqui, nos próximos posts, se nada acontecer, espero continuar com esse assunto, melhorando esta parte e abordando a teoria do necessário a posteriori.
Se cometi algum erro, por favor, comentem, se acertei, por favor, comentem..

Live Long and Prosper...


*1 - Conforme publicação de G.W. Fitch sobre Kripke.

2 comentários :

Nem com nem contra um Jedi disse...

"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defendo plenamente o direito de dizê-lo, mesmo que para isso custe a sua e a minha vida"!!!!
(Pseudo-Voltaire Atualizado para as críticas aos "réstados-unidos")

Depois dessa, vou estudar no Ubuntu a designação rígida da semântica proposicional e os valores de verdade que Tarski colocou.....

Não acho que Kripke seja tão grande quanto Tarski.... A teoria da verdade do último ainda é a mais "completa" perante todos os quesitos dos dias de hoje....

PS: www.superdownloads.com.br tem uma sessão de LINUX... e a gramática do Brasil é melhor que a gramática do Brazil (PT)...

Viva LA BAMBA!!!!

Willyans V. disse...

Duas palavras para você:

Who cares?

Infelizmente não é você, ou eu, quem decide o nível de influência do filósofo.. L.O.L.
A teoria da verdade do Kripke é meio estranha, mas ainda estou naquela fase em que penso estar a fazer a leitura errada, depois de reler umas três vezes então poderei culpar o autor.
Meu problema agora é com o capítulo sobre a verdade, aquele que é o menor capítulo do livro, mas pra ser sincero, não li muito Tarski.. Então fico devendo no comparativo..

Não entendi esse P.S., pois o linux que você usa Ubuntu e ele tem um bom Português Br.. Ao menos no meu funciona superbem..

P.S.:
Preciso atualizar esse post novamente..Mas estou na dúvida entre fazer isso e criar novo post sobre o argumento semântico..